domingo, 12 de janeiro de 2014

Superlotação potencializa a violência em presídios no Acre




11/01/2014 - 19:41:34
Com três mortes registradas em 2013 e com uma população carcerária que proporcionalmente é uma das maiores do Brasil, chegando a 68,5 presos para cada mil habitantes, o Acre sofre os mesmos problemas que outros Estados, quando o assunto é prender as pessoas acusadas ou condenadas por algum tipo de crime.

O diretor-presidente do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), Dirceu Augusto, disse ser difícil impedir brigas e mortes, pois o clima é sempre de tensão, causado pelo confinamento, pela superlotação e por desentendimentos dentro e fora da prisão. Até 2013, as cadeias acrianas abrigavam 4.379 pessoas.

Para o gestor, existem medidas paliativas que são adotadas, como separar grupos ou retirar um dos causadores de confusões, mas nem sempre é possível evitar que a confusão ocorra.

“As brigas são de fato por situações causadas tanto do lado de fora, nas ruas, como por desentendimentos internos. O que podemos fazer é intervir de forma preventiva, aproveitando denúncias feitas por familiares ou por mudanças no comportamento de alguns”, falou o diretor-presidente.

Dirceu Augusto informou que o clima mais tenso é encontrado em uma ala chamada de Chapão, no Francisco de Oliveira Conde, onde existem cerca de mil presos acima da capacidade, além da área voltada para os provisórios que possui cerca de 400 pessoas a mais.

“O que potencializa esse clima é a superlotação: uma cela que é para quatro presos acaba tendo 12 presos. Então, alguém vai dormir no chão; alguém vai negociar um colchão”, explicou o sindicalista.
Para o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Adriano Marques, a implantação de travas eletrônicas, a compra de equipamentos de segurança poderiam contribuir para a redução da violência e para o número de mortos.

Falta estrutura. Tem pavilhões que possuem 200 presos para dois agentes. Em SP, uma das medidas para reduzir a violência foi a instalação de trancas eletrônicas. A superlotação é um item que potencializa ainda mais a violência”, disse o sindicalista.

Adriano Marques afirmou que autoridades se orgulham da eficiência do Acre em prender os criminosos, sendo considerado proporcionalmente o Estado que mais possui apenados. Mas, ele afirma que o problema da criminalidade é uma questão social.

Muitas pessoas elogiam a quantidade de prisões no nosso Estado, mas isso significa que faltam empregos, saúde e educação”, afirmou o representante dos servidores.

Outro problema enfrentado seria a falta de geradores de emergência em caso de queda de energia.

O ambiente já é superlotado e tenso, agora, imagine quando falta energia elétrica? A possibilidade de brigas é potencializada ainda mais”, explicou o sindicalista.

O problema dos presídios voltou a ser debatido depois que os jornais começaram a divulgar as mortes registradas no presídio do complexo de Pedrinhas, em São Luiz, no Maranhão, onde ocorreram 28% das 218 mortes registradas em todas as unidades prisionais do Brasil.
Fonte:  http://www.jornalatribuna.com.br/Mostrar.jsp?id=40439

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